Conheça mais sobre os principais motivos que levam as pessoas a apresentarem cólica abdominal.
A cólica abdominal é uma queixa bastante comum entre as pessoas e é uma das principais razões para elas buscarem os serviços médicos.
Entretanto, determinar a causa desse desconforto não é tão simples quanto parece e dependendo da sua intensidade e dos sintomas associados, pode indicar problemas graves de saúde.
Por isso, é importante se conhecer quais são as principais razões que levam a cólica abdominal e, caso apresente sintomas que lembre alguma dessas patologias, procurar atendimento especializado com urgência.
Desse modo, hoje vamos falar dos principais problemas que levam a cólica abdominal e qual o tratamento em cada caso. Confira!

1. Apendicite
O apêndice é uma estrutura que se localiza no intestino grosso e tem o tamanho variavel de 2 a 20 cm.
Antigamente, se acreditava que esse órgão não tinha nenhuma função importante, mas hoje se sabe que ele atua como parte do sistema de defesa do organismo, sendo importante para manter o equilíbrio do intestino.
Porém, em algumas situações, esse órgão pode ser obstruído pelo conteúdo presente no intestino e, consequentemente, gerar uma inflamação a qual conhecemos como apendicite.
A cólica abdominal local acaba não sendo o primeiro sintoma que aparece, na verdade, primeiro a pessoa começa a ter um quadro de anorexia, com náuseas, vômitos e dor difusa no abdômen.
Depois de mais ou menos 12 horas, é possível perceber o abdômen inflamado e é quando se tem a dor característica na fossa ilíaca esquerda (local anatômico onde se encontra o apêndice).
Nessa situação, também é comum a pessoa apresentar febre e ter aumento dos leucócitos por o corpo estar trabalhando para impedir a infecção.
Por fim, após 48 horas do aparecimento dos sintomas, pode se observar uma massa palpável no lugar do apêndice, porque se formou um abscesso no local graças a perfuração do órgão (nesses casos, pode-se observar um quadro de peritonite o qual será explicado mais adiante).
O diagnóstico deve ser feito por um médico e é exclusivamente clínico, ainda que possa ser solicitado uma tomagrafia com contraste para a retirada de dúvidas.
Já a respeito do tratamento, sabemos que ele é cirúrgico e deve ser feito o quanto antes para impedir a evolução e piora do quadro.
Portanto, caso você suspeite que está com um quadro de apendicite, procure com rapidez um serviço de urgência e emergência para dar seguimento ao tratamento.
2. Cálculo renal
Provavelmente, você já deve ter ouvido falar que uma das piores dores sentidas pelas pessoas é a de cálculo renal, ou “pedra nos rins”.
Esse tipo de cólica abdominal acontece quando se formam algumas massas cristalinas nos rins.
Essas massas podem ter vários tipos de composição e serem formadas por diversos motivos, porém existem alguns fatores de risco que podem predispor o seu aparecimento, são eles:
- História pessoal de cálculo renal (porque o paciente que teve o problema uma vez, estará suscetível ao problema novamente);
- História familiar de cálculo renal;
- Pessoas que bebem pouca água;
- Urina ácida;
- História de gota;
- Hipertensão arterial sistemica;
- Cirurgia bariátrica;
- Uso prolongado de certas medicações;
- E infecção do trato urinário crônica ou recorrente.
De modo geral, a formação dos cristais, poode acontecer por dois motivos: uma grande saturação ou um desequilíbrio do pH.
Logo, por causa de um desses dois desequilíbrios se forma cristais os quais podem ou não se tornarem maiores e gerarem cálculos.
Com os cálculos formados, pode ser que a pessoa apresente os seguintes sintomas:
- Cólica abdominal;
- Sangue na urina;
- Infecção renal;
- Obstrução parcial ou total do trato urinário;
- E calcificação do parenquima renal.
Para auxiliar no diagnóstico o médico pode solicitar a realização de alguns exames, sendo a tomográfica computadorizada o mais indicado, ainda que a ultrassonografia e a ressonância magnética possam ser úteis.
Por fim, o tratamento precisa ser instituído por um médico é inclui: analgesia, bloqueadores alfa-1-adrenérgicos, bloqueadores de canais de cálcio e hidratação.
Em casos mais graves, como: em cálculos maiores que 10mm, casos com infecção, obstrução permanente ou progressiva e insuficiência renal, a intervenção cirúrgica está indicada.

3. Síndrome do intestino irritável
Existem alguns casos nos quais as pessoas mesmo sem nenhuma alteração do intestino, vão apresentar problemas intestinais.
Nessa situação, mesmo sem nenhuma alteração anatômica ou patológica é comum que as pessoas relatem os seguintes sintomas:
- Cólica abdominal;
- Diarréia;
- Prisão de ventre;
- Presença de gases com muita flatulência;
- E desconforto abdominal.
Assim, quando procuram um médico para entender do que se trata o seu problema, realizam exames e percebem que “não tem nada de errado” com o seu intestino.
Mas, ainda que visivelmente não seja observado nenhuma alteração, algumas razões explicam a ocorrência desses sintomas. São elas:
- Níveis elevados de alguns neurotrasmissores no intestino;
- Resposta aumentada da motilidade intestinal quando exposta a alguns tipos de alimentos;
- Depressão e ansiedade;
- Reação a algum evento externo, como uma infecção.
Desse modo, para realizar o tratamento adequado do problema, é preciso se investigar qual é a causa base que está gerando a patologia.
Sendo assim, após se identificar é possível tratar os sintomas e prevenir novas crises.
Por exemplo, se o problema for a falta de motilidade intestinal, pode se recomendar o uso de laxantes e a maior ingestão de fibras.
Enquanto em casos de diarreia, pode se reduzir a ingesta de alimentos que causam o problema.
Nos casos de dor, é recomendado o uso de medicamentos para o seu alívio.
Por fim, é preciso deixar claro que não existe cura para esse problema, na verdade, o mais indicado é realizar mudanças nos hábitos de vida para se conviver com ele.
4. Colescitite
A vesícula biliar é um órgão que tem como função armazenar a bile produzida no fígado e liberar ela quando necessário de acordo com os estímulos do intestino.
Porém, em algumas situações, pode acontecer a inflamação dessa vesícula, o que recebe o nome de colescitite.
O principal motivo para isso é a obstrução do duto cistíco por um cálculo biliar.
Essa obstrução vai impedir a passagem da bile e causará uma inflamação no órgão.
Consequentemente, caso o problema não seja resolvido e não seja instituído um tratamento correto, isso pode gerar uma inflamação e uma sepse, o que pode resultar em morte.
No mais, existem dois tipos principais de colescitite: aguda e crônica.
A aguda, como o próprio nome diz, ocorre de maneira súbita, sendo as principais razões:
- Cálculo biliar;
- Jejum prolongado;
- Alimentação intravenosa por período prolongado;
- Cirurgia;
- E deficiência do sistema imunológico (como HIV).
Já no caso de pancreatite crônica, é 8um caso onde existem várias crises de colescitite aguda por um longo período de tempo.
Geralmente, a razão para isso acontecer é a presença de vários cálculos na vesícula biliar.
Dentre os sintomas, o principal é a presença de cólica abdominal na região superior do abdômen.
Esse tipo de dor é bastante característico e é chamado de “cólica biliar”.
Alem disso, a pessoa pode apresentar outros sinais e sintomas, como: náuseas, vômitos, icterícia, febre e fadiga.
O diagnóstico é clínico e pode ter ajuda de exames de imagem como a ultrassonografia, já o tratamento é cirúrgico, pois é necessário retirar a vesícula.
5. Peritonite
O peritônio é consiste em uma membrana que recobre todos os órgãos da parede abdominal, a qual, em algumas situacoes, pode inflamar e causar sérios problemas para as pessoas.
Os principais motivos que podem levar a essa inflamação são:
- Uso de medicamentos irritantes;
- Infecção bacteriana;
- E perfuração de algum órgão (o que pode ocorrer em casos de apendicite, colescitite e, até, pancreatite aguda).
Seja como for, existe uma evolução característica a qual esse problema apresenta.
Primeiro a pessoa começa a sentir cólica abdominal no local em que a inflamação começa, porém, com o passar do tempo, essa dor aumenta progressivamente e se espalha para todo o abdômen.
Além disso, é comum ocorrer um endurecimento da musculatura como uma tentativa do corpo de proteger o local.
Se não houver o tratamento adequado, a situação evolui e piora o quadro.
Por exemplo, se estivermos diante de um infecção bacteriana, é possível que as bactérias alcancem a corrente sanguinea e causem um quadro de septcemia, o que pode levar ao coma e, consequentemente, a morte.
Fora esses sintomas, outros sintomas muito comuns é a presença de náuseas e vômitos e, principalmente, a febre.
Para tratar o problema é indicado internação hospitalar e cirurgia de urgência junto com medidas de suporte, como medicamentos para aliviar a dor e hidratação intravenosa vigorosa.

6. Pancreatite
O pâncreas é uma glândula conhecida por ter um caráter misto, pois possuí função tanto exócrina como endócrina.
Como função exócrina temos que ela produz o suco pancreáticos o qual é extremamente importante para a correta digestão dos alimentos. Já na função endócrina temos a produção e liberação dos hormônios insulina e glucagon, os quais atuam no metabolismo da glicose.
Mas, em algumas quando ocorre uma inflamação do pâncreas essas funções ficam comprometidas e, a respeito dessa inflamação, ela recebe o nome de pancreatite.
Essa doença pode se apresentar de duas formas, como aguda ou crônica.
Se estamos diante de um quadro de pancreatite aguda, percebemos que o principal motivo que desencadeia a doença é os cálculos biliares que acabam descendo e obstruindo o colédoco, o que impede o fluxo correto das secreções pancreáticas.
Como consequência, ocorre a inflamação da glândula o que vai gerar uma cólica abdominal intensa, com a característica de ser em faixa na região superior do abdômen, além de irradiar para a parte das costas.
Outros sintomas que podem ser observados é a presença de náuseas, vômitos e icterícia.
Para tratar esse quadro é preciso internar a pessoa, deixá-la em jejum e hidratar por meio de soro.
Isso porque não existe nenhum medicamento capaz de reverter o quadro e realizar cirurgia faria com que o pâncreas se desfizesse.
Tanto é que um procedimento cirúrgico só seria indicado no caso de ocorrer necrose da glândula para retirar o tecido morto.
Entretanto, se estamos diante de uma pancreatite crônica, podemos dizer que ela, normalmente, é causada por alcoolismo, assim o que se observa é uma fibrose do órgão.
Desse modo, podemos esperar sintomas como:
- Cólica abdominal;
- Diabetes;
- E diarréia.
Desse modo, o objetivo do tratamento é amenizar a dor e melhorar os sintomas secundários que aparecem como a diabetes e a diarreia.
Nesses casos algumas medidas de estilo de vida são indicadas como diminuir o consumo de alimentos gordurosos e não ingerir bebidas alcoolicas.

7. Cólica menstrual
Nem todo tipo de cólica abdominal aparece precisa estar associada a alguma doença de base.
Na verdade, no caso das mulheres, é bastante comum que sinta cólicas na região mais inferior do abdômen durante o período menstrual.
Isso acontece porque durante a menstruação a musculatura uterina acaba causando varias contrações durante a descamação do endometrio e gera esse tipo de desconforto.
Para resolver a situação é comum que os médicos recomendem o repouso, o uso de analgésicos e o uso de compressas mornas na região.
Porém, é importante destacar que caso essa cólica seja muito intensa e não tenha redução mesmo com as medidas citadas acima, é preciso buscar auxílio médico para investigar a possibilidade de problemas mais graves como a endometriose.
Conclusão
Muito bem! Se você chegou até aqui conhece quais são as principais causas que levam ao aparecimento da cólica abdominal e como funciona o tratamento em cada caso.
Para relembrar, nos vimos as seguintes patologias:
- Apendicite;
- Cálculo renal;
- Síndrome do intestino irritável;
- Colescitite;
- Peritonite;
- Pancreatite;
- E cólica abdominal.
Assim, também conseguimos ver quais os tratamentos e como proceder em cada caso.
Entretanto, é importante deixar claro que esses não são os únicos motivos que podem levar a uma cólica abdominal, na verdade esses são as causas mais comuns do aparecimento do problema.
Por essa razão, é muito importante que caso você sinta desconforto na região abdominal procure um serviço médico para ter um atendimento correto.


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