Fibromialgia: O que é, causas, sintomas e tratamentos

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A palavra fibromialgia tem sua origem no latim e no grego, o termo “fibro” vem de “filum” que em latim significa “fio”, os outros termos vêm do grego “myos” que significa músculo e “algos” que se refere à dor. Dessa forma, fibromialgia está associada à dor nos filamentos de tecido, assim refere-se tanto às dores nos músculos como nos tendões e articulações.

Também chamada de Síndrome de Joanina Dognini, é uma síndrome bastante comum, porém pouco percebida, pois não é uma doença com sintomas visíveis. Há pessoas famosas as quais eram ou são portadoras da fibromialgia e muitas pessoas nem tinham tal conhecimento.

Frida Kahlo expressava as dores da síndrome através de sua arte, a cantora Cher também convive com esta condição, assim como os atores de Hollywood Robbie Williams, Katie Holmes e Morgan Freeman e ainda, o cientista evolucionista do século XIV, Charles Darwin.

Como fora mencionado, já no século XIV existia a síndrome e ainda hoje, afeta inúmeras pessoas e continua sendo um mistério para a medicina.

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O que é fibromialgia

Fibromialgia consiste em uma dor crônica e generalizada, que abrange praticamente todo o corpo e parece não se relacionar necessariamente a nenhum evento viral, bacteriano ou acidental, com algumas exceções.

Assim, as dores no corpo estendem-se por longos períodos e afeta mais às mulheres do que os homens, principalmente entre as idades de 20 a 50 anos.

A fibromialgia é considerada uma síndrome e não uma patologia, mas no passado era considerada como uma doença psicossomática, devido à falta de evidências causais e pelos sintomas serem generalizados. Ainda hoje se considera como uma condição relacionada ao aspecto psicológico, porém, há estudiosos que ponderam que se trata de uma doença relacionada ao funcionamento cerebral e há estudiosos que afirmam se tratar de uma doença reumática. As evidências que se tem são de que em metade dos casos, os pacientes apontam algum evento relacionado a estresse físico e psicológico como fator desencadeante, enquanto que a outra metade não consegue identificar ou relatar algum evento específico.

Causas

Já fora mencionado, mas cabe acrescentar que as causas da fibromialgia não são totalmente conhecidas, o que se sabe é que há fatores relacionados que são comuns entre os pacientes acometidos.

A maioria dos pacientes com a síndrome relata ter histórico de fibromialgiana família, apontando o fator genético como uma predisposição, tornando possível a hipótese de que a síndrome pode causar alteração dos genes.

Há alguns casos que apontam a possibilidade de infecções por vírus, intoxicações e doenças autoimunes possam contribuir com o desenvolvimento da síndrome.

Além disso, percebe-se uma prevalência de relatos a respeito de distúrbios do sono, sedentarismo, ansiedade e depressão na maioria dos casos, apontando a possibilidade destes fatores estarem relacionados com a influência no desenvolvimento da síndrome Joanina Dognini.

Entre os especialistas a hipótese mais aceita é de que esta é uma condição bastante relacionada aos fatores psicológicos e o perfil dos pacientes sempre leva a confirmação da hipótese devido à presença de problemas emocionais, de humor, transtornos ansiosos e outras doenças psicossomáticas como enxaqueca, doenças gastrointestinais e obesidade.

É, portanto, descrita como um distúrbio biopsicossocial, isto é, com aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Biológicos no que tange o aspecto fisiológico e genético, envolvendo a atividade dos neurotransmissores, que são responsáveis pelo humor, sono, apetite, processos cognitivos e pelas sinapses relacionadas à dor, bem como no que se refere a alteração nos genes também relacionados à sensibilidade. O aspecto psicológico no sentido causal, pois este pode ser um fator desencadeante dos sintomas. Sociais, por fim, em termos do agravamento dos sintomas devido ao preconceito que muitas pessoas têm a respeito da síndrome, considerando-a como um capricho ou carência da pessoa.

Sintomas

A principal característica da fibromialgia é a dor prolongada e espalhada por todo o corpo e que com o toque pode intensificar, as dores no corpo atingem as articulações, tendões, ligamentos e músculos e são acompanhadas de sensibilidade, insônia e fadiga, isto é, cansaço excessivo.

Os relatos mais comuns além das dores no corpo envolvem a sensação de sono insuficiente, mesmo que a pessoa tenha dormido mais de dez horas na noite, além de um sono leve, com despertar várias vezes durante a noite. Isto pode ocorrer devido à dor intensa que atrapalha ou impede a pessoa chegar ao estágio 4 do sono, o qual é o responsável pela restauração da energia.

Devido a isso também, a pessoa acometida sente falta de energia durante o dia, o que ocasiona mais intensidade da dor, acarretando um ciclo vicioso, pois com mais sensação dolorosa, mais dificuldade em dormir e restabelecer a energia, que aumentará ainda mais a dor e assim por diante.

A enxaqueca e outras dores de cabeça podem aparecer como comorbidades, como já fora comentado, mas também como sintoma, de forma que este tipo de dor associado às dores no corpo pode ser indicativo de fibromialgia.

Além desta, outras condições podem aparecer paralelamente, como a síndrome do intestino irritado, sintomas no trato urinário, palpitações, perda e ganho de peso, problemas de memória, tontura, entre outros.

Os sintomas da fibromialgia podem ser confundidos com outras patologias, como doenças reumáticas, como artrite, polimialgia, osteoartrite, etc. O diagnóstico, portanto, pode se tornar difícil de ser estabelecido. No entanto, sempre que os sintomas forem percebidos, aliados ou não com condições adicionais, faz-se necessária a consulta com um médico e o encaminhamento a um psicólogo.

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Tratamento

A fibromialgia não é uma doença que carrega um risco fatal, mas mesmo assim requer um tratamento, pois seus sintomas são incapacitantes, tornam a pessoa acometida mais infeliz, mais cansada, menos motivada, com menos disposição e assim, passa a ter menos qualidade de vida, afetando a vida conjugal, social, profissional, familiar.

Todas estas agravantes podem ocasionar outras doenças mais graves e então, desenvolver uma condição que oferece maior risco de morte, pois devido ao sedentarismo e sono de má qualidade, a imunidade pode apresentar uma queda abrindo caminho para novas condições se instalarem, bem como o aparelho cardiorrespiratório que se torna mais vulnerável devido ao cansaço excessivo e falta de disposição para praticar atividade física.

A partir disso, em busca de maior qualidade de vida, faz-se fundamental o tratamento da fibromialgia, o qual consiste em um trabalho multidisciplinar, envolvendo um reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e um psiquiatra.

O reumatologista e o psiquiatra são responsáveis pelo tratamento medicamentoso que age diretamente nos sintomas de acordo com a etiologia da síndrome, isto é, o medicamento receitado deve seguir o funcionamento orgânico a fim de repor o equilíbrio de neurotransmissores através da administração de antidepressivos e anticonvulsivantes.

O uso de analgésicos e anti-inflamatórios não demonstra alta eficácia, no entanto, há casos em que estes tipos de fármacos são ainda utilizados, pois associados a outros fármacos, como os supracitados, podem aliviar a dor.

Os principais medicamentos usados no tratamento de fibromialgia são os antidepressivos que agem no restabelecimento do nível ideal de serotonina, noradrenalina, dopamina e GABA. Alguns exemplos de medicamentos para este fim são a fluoxetina, a paroxetina, a ciclobenzaprina, a amitriptilina, a gabapentina, a pregabalina, o escitalopram, citalopram e a sertralina.

Já o tratamento psicológico, ou seja, a psicoterapia auxilia para elaborar as questões subjacentes que interferem nos sintomas como angústia, preocupações, estresse, lutos, bem como tratar os casos de ansiedade, depressão e outros transtornos.

A psicoterapia de base cognitivo-comportamental, ou seja, a TCC tem apresentado bons resultados, pois esta vertente trabalha os pensamentos negativos que agravam os sintomas, bem como motiva a pessoa a buscar atividades prazerosas e exercício físico que ajuda no alívio dos sintomas. Além desta abordagem, outras ênfases podem ser viáveis, como os grupos terapêuticos, musicoterapia, acupuntura, estas são técnicas e métodos regulamentados pela profissão de psicólogo.

A psicanálise, por sua vez, contribui na compreensão da base causal, isto é, conhecer a origem dos sintomas, podendo ter base nos traumas prévios que podem passar despercebidos, pois podem existir eventos na infância ou outros momentos da vida que podem desencadear conversão da mente para o corpo e estes podem parecer não ter relação com a condição de fibromialgia, mas com análise os sentidos vêm à tona.

Há, ainda, alguns hábitos que podem ser modificados visando a prevenir o agravamento dos sintomas, como fumar, consumir álcool, alimentos com baixo valor nutricional, cafeína, situações estressoras.

É preciso, ainda, o apoio social, pois muitas pessoas podem julgar a condição como algo inventado ou que a pessoa apenas pretende chamar atenção. A família e amigos que compreendem que as dores no corpo são realmente incapacitantes conseguem ajudar a pessoa acometida a superar e procurar tratamento e, assim, melhorar a qualidade de vida.

Conclusão

São diversas as dores no corpo, assim como são diversos os fatores causais. No entanto, algumas condições não têm suas causas necessárias totalmente conhecidas, é o caso da fibromialgia, uma das dores que mais acometem pessoase geralmente está relacionada a causas psicogênicas. Em síntese, mesmo sem a causa definida, é importante buscar tratamento multidisciplinar, se faz necessário, ainda, o apoio social para que a pessoa acometida obtenha maior qualidade de vida.

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