Os músculos isquiotibiais compõem a região posterior da coxa e são responsáveis, em parte, por atividades como caminhar e correr.
Uma lesão dessa musculatura, além de estar associada a dor, pode limitar os movimentos do paciente e impedi-lo de realizar movimentos essenciais no dia a dia.
Os músculos isquiotibiais são o semimembranoso, o semitendíneo e o bíceps femoral. Eles têm origem na tuberosidade isquiática, abaixo dos glúteos, e compõem a região posterior da coxa, inserindo-se finalmente na face medial da tíbia, próximo ao joelho[1]Brasileiro JS, Faria AF, Queiroz LL. Influência do resfriamento e do aquecimento local na flexibilidade dos músculos isquiotibiais. Brazilian Journal of Physical Therapy. 2007;11:57-61..
Os movimentos realizados por essa musculatura são a flexão do joelho e a extensão do quadril. Por isso, ela é essencial durante a caminhada e a corrida, por exemplo, e, inclusive, desempenha a função de controlar a velocidade das passadas.
Diante disso, portanto, é mais comum que ocorra a lesão dos isquiotibiais em atividades físicas e esportes que exigem movimentos como:
- mudanças de direção da corrida;
- aumento e redução da velocidade da corrida;
- saltos;
- chutes.
Algumas práticas frequentemente associadas a danos nos músculos posteriores da coxa são o futebol, o tênis, o vôlei, o atletismo e a dança[2]Almeida J. Estudo de revisão acerca da prevenção de lesões musculares nos isquiotibiais..
Vale ressaltar que as lesões desses músculos variam em grau, de acordo com o nível de dano gerado. Abaixo mostramos a forma como são classificadas:
- grau I: acontece quando não há rompimento de fibras musculares ou no máximo 5% delas são rompidas;
- grau II: ocorre quando entre 5 a 50% das fibras da região posterior da coxa são rompidas;
- grau III: mais de 50% das fibras musculares são rompidas.
A partir de tal classificação, o médico pode prescrever o tratamento adequado, bem como a duração do mesmo.
Causas comuns
As lesões dos isquiotibiais ocorrem, na maioria das vezes, em associação com um movimento brusco, o qual sobrecarrega as fibras musculares e gera distensão das mesmas, em geral na região músculo-tendínea.
Porém, é possível lesionar a musculatura posterior da coxa por causa da prática incorreta de uma técnica, o que gradualmente danifica as fibras. Nesses casos, normalmente quando o paciente começa a perceber os sintomas ele busca ajuda médica.
Citamos abaixo situações que favorecem o surgimento de danos nos posteriores da coxa:
- traumas diretos como pancadas ou quedas;
- prática de atividade física sem o condicionamento físico necessário;
- falta de alongamento dos isquiotibiais[3]Nogueira JF, Lins CA, Souza AV, Brasileiro JS. Efeitos do aquecimento e do alongamento na resposta neuromuscular dos isquiotibiais. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2014 Jul;20:262-6.;
- desequilíbrio muscular, ou seja, musculatura anterior da coxa mais forte;
- cansaço muscular durante o treino;
- falta de aquecimento prévio ao exercício.
Ressaltamos que é importante compreender as causas para a lesão dos isquiotibiais, a fim de evitar que elas continuem a interferir na saúde do paciente e, consequentemente, ocasionem recidivas do quadro clínico mesmo após o tratamento.

Diagnóstico
O diagnóstico das lesões nos músculos posteriores da coxa é feito a partir da associação entre o histórico clínico e os sintomas relatados pelo paciente, assim como pelo exame físico realizado pelo médico.
Neste, o profissional procura sinais visuais como edemas e hematomas, por exemplo, que são indicativos para compreender o grau do dano muscular.
Além disso, os exames de imagem de radiografia e ressonância magnética são formas de identificar a presença de fraturas associadas e classificar mais acuradamente o nível da lesão, respectivamente.
Diante de todas as informações coletadas o clínico pode prescrever um tratamento que vise tanto o alívio dos sintomas como a reabilitação da funcionalidade do paciente.
Sintomas
Em geral, uma lesão nos isquiotibiais acontece durante a prática de alguma atividade física ou na realização de um movimento brusco.
Logo, é frequente percebê-la tão logo ocorre, a partir de uma dor imediata e aguda na parte posterior da coxa, acompanhada, ou não, por um som característico, similar a um estalo.
À medida que o quadro progride, há um tendência de que a dor aumente e a força da musculatura seja reduzida, o que compromete a prática de atividades físicas e até mesmo a execução de movimentos básicos diários como caminhar, por exemplo.
Ainda, dependendo do nível do dano muscular, os sintomas variam. A seguir os relacionamos com a classificação citada previamente:
- grau I: dor leve e perda de força muscular não limitante;
- grau II: maior intensidade da dor, dificuldade para caminhar e presença de equimose;
- grau III: dor entre moderada à intensa, presença de edemas e hematomas, redução considerável da funcionalidade muscular.
Outros sintomas que podem ser percebidos são o surgimento de dor quando a região é pressionada e gap muscular. O último caracteriza-se como uma depressão visível na musculatura.
Em relação aos hematomas, vale salientar que eles surgem entre 24 a 48 horas após a lesão inicial, pois são resultado de um grau elevado de dano tecidual associado ao rompimento de vasos sanguíneos.

Tratamento
Existem duas etapas para o tratamento de lesões nos isquiotibiais. Inicialmente, na fase aguda, o objetivo é minimizar os sintomas. Na sequência, o segundo momento visa reabilitar a musculatura e prevenir recidivas do quadro[4]Ramos GA, Arliani GG, Astur DC, Pochini AD, Ejnisman B, Cohen M. Reabilitação nas lesões musculares dos isquiotibiais: revisão da literatura☆. Revista Brasileira de Ortopedia. 2017 Jan;52:11-6..
Outro fator importante que interfere significativamente na definição da intervenção terapêutica é o grau de dano muscular. Ressaltamos que quanto maior a intensidade da lesão, mais longa a duração do tratamento.
Ademais, a restauração da musculatura exige um processo de cicatrização completo e, por isso, é essencial que o paciente tenha paciência e saiba aguardar as recomendações médicas para retornar, gradualmente, a prática de atividades físicas.
Em relação à primeira etapa do tratamento, para aliviar os sintomas, os métodos utilizados costumam ser: compressas de gelo, uso de anti-inflamatórios, repouso e fisioterapia. É possível, quando a dor é muito intensa, utilizar muletas para caminhar[5]Signori LU, Voloski FR, Kerkhoff AC, Brignoni L, Plentz RD. Efeito de agentes térmicos aplicados previamente a um programa de alongamentos na flexibilidade dos músculos isquiotibiais encurtados. … Continue reading.
Após a abordagem inicial, a próxima fase deve favorecer a cicatrização tecidual e reduzir as perdas funcionais. Para tal, o mais indicado é a fisioterapia e a realização de exercícios de fortalecimento e alongamento dos músculos posteriores da coxa.
Destacamos que na maioria dos casos o tratamento é conservador. Porém, há duas situações que podem exigir uma intervenção cirúrgica: quando ocorre uma avulsão muscular ou se a ruptura dos músculos é excessivamente extensa.
Sobre a avulsão, esta acontece quando junto ao dano muscular e tendíneo há um desprendimento de fragmento ósseo. Especificamente associado aos isquiotibiais, é mais comum o destacamento de osso na região da tuberosidade isquiática.
Por fim, queremos reforçar que embora as lesões nesses músculos sejam frequentes, elas podem e devem ser prevenidas a partir de ações como: fortalecimento e alongamento dos músculos posteriores da coxa, bem como aquecimento antes da prática física.
Referências Bibliográficas
| ↑1 | Brasileiro JS, Faria AF, Queiroz LL. Influência do resfriamento e do aquecimento local na flexibilidade dos músculos isquiotibiais. Brazilian Journal of Physical Therapy. 2007;11:57-61. |
|---|---|
| ↑2 | Almeida J. Estudo de revisão acerca da prevenção de lesões musculares nos isquiotibiais. |
| ↑3 | Nogueira JF, Lins CA, Souza AV, Brasileiro JS. Efeitos do aquecimento e do alongamento na resposta neuromuscular dos isquiotibiais. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2014 Jul;20:262-6. |
| ↑4 | Ramos GA, Arliani GG, Astur DC, Pochini AD, Ejnisman B, Cohen M. Reabilitação nas lesões musculares dos isquiotibiais: revisão da literatura☆. Revista Brasileira de Ortopedia. 2017 Jan;52:11-6. |
| ↑5 | Signori LU, Voloski FR, Kerkhoff AC, Brignoni L, Plentz RD. Efeito de agentes térmicos aplicados previamente a um programa de alongamentos na flexibilidade dos músculos isquiotibiais encurtados. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2008;14:328-31. |
