Atualmente, o eflúvio telógeno é conhecido como a principal razão para que ocorra queda de cabelo, por isso ele se torna uma preocupação para várias pessoas que perdem seus fios diariamente.
Esse tipo de problema, como o próprio nome indica, consiste em uma perda dos fios que se encontram na fase telógena.
Ou seja, o cabelo perdido, normalmente, é aquele que já estagnou o seu crescimento (o que corresponde a mais ou menos 10% daquele encontrado na cabeça).
Ademais, são diversos os motivos que podem desencadear esse tipo de queda. Além do que, precisamos ter em mente quais são os tipos de eflúvio telógeno existentes e saber manejá-los de maneira correta.
Sendo assim, hoje falaremos sobre todos esses tópicos para que você fique mais ciente a respeito dessa patologia que causa a perda de tantos fios diariamente.

1. Como acontece o aparecimento do eflúvio telógeno?
O cabelo possui um ciclo natural de crescimento, estagnação, queda e renovação. E, para entendermos como funciona o eflúvio telógeno, necessitamos compreender as fases desse ciclo, as quais são:
- Anágena: a qual corresponde ao período onde existe um crescimento constante do fio de cabelo, sendo a sua duração entre dois e seis anos, o que permite um aumento de crescimento até um centímetro por mês;
- Cetágena: onde a raiz do cabelo começa a involuir, o que faz com que o crescimento reduza e o fio comece a ser preparado para a sua queda, sua duração fica em torno de duas a três semanas;
- Telógena: nesse período o crescimento do cabelo cessou completamente o qual ainda dura de dois a três antes da queda do fio propriamente dita.
- Quenógena: a qual consiste em um pequeno período onde o há uma pausa para que o fio caído seja substituído por outro.
Todo esse ciclo que acabamos de ver demora em torno de dois a oito anos para ocorrer totalmente e, para que toda essa renovação aconteça de forma natural e sem prejuízos ao volume normal do cabelo, precisamos perder em torno de 100 a 150 fios por dia.
Desse modo, fica bem mais fácil compreender como ocorre o eflúvio telógeno e o porquê ele é tão problemático.
Isso porque, em um adulto normal, os fios de cabelo se encontram mais ou menos nessa proporção:
- Fase anágena: 80 a 90%
- Fase catágena: 1 a 2%
- Fase telógena: 10 a 20%
Porém, como o próprio nome sugere no eflúvio telógeno até 25% dos fios podem se encontrar na fase telógena, fazendo com que ocorra uma queda acentuada do cabelo.
Isso acontece, pois algum fator estressante mudou o funcionamento normal da raiz do cabelo, acelerando o processo de queda dos fios e tornando a troca da fase anágena para a telógena bem mais rápida.
2. Quais são as principais causas do eflúvio telógeno?
2.1 Pós-parto
Como já se sabe, o período da gravidez é caracterizado por uma série de mudanças hormonais que ocorrem no corpo da mulher. E, dentre essas mudanças, podemos citar o aumento considerável de estrógeno no corpo feminino.
Esse hormônio em especial, consegue causar diversas alterações no organismo, porém, em relação a cabelo, uma merece destaque: a diminuição da queda normal dos fios.
Consequentemente, é bastante comum que as gravidas apresentem cabelos mais volumosos e bonitos nesse período.
Todavia, como a gravidez é uma condição temporária, ao ela ser cessada, os níveis de estrogênio caem significativamente.
Desse modo, com a nova conformação hormonal, o corpo demora um período para se adaptar o que pode levar a uma interrupção mais rápida do ciclo normal dos cabelos, culminando em eflúvio telógeno após alguns meses no pós-parto.

2.2 Infecções e febre alta
Quando o corpo precisa combater uma infecção ou apresenta uma febre muito alta (a qual pode ser desencadeada por diversos motivos) ele tende a produzir várias substâncias para tentar voltar a homeostase corporal.
E, essas substâncias, do mesmo modo que ocorre com os hormônios, tendem a induzir a uma aceleração no ciclo do cabelo, o que culmina com a sua queda.
2.3 Pausa ou início do uso dos anticoncepcionais
As mulheres quando começam ou pausam o uso de anticoncepcionais acabam, assim como na gravidez, induzindo mudanças hormonais em seu corpo.
Desse modo, pode ser que elas experimentem uma redução no ciclo normal do cabelo, pois, como vimos, os hormônios femininos têm a capacidade de aumentar ou não as fases de crescimento dos fios.
Por essa razão, mulheres que decidem utilizar hormônios como forma de prevenir a gravidez, precisam ser alertadas a respeito desse possível efeito colateral, o qual é resolvido em alguns meses.
2.4 Desnutrição
Os fios de cabelo necessitam de certos nutrientes para que seu crescimento ocorra de maneira adequada.
Assim sendo, a falta de alguns minerais, como o zinco e o ferro, de vitaminas como a B12 e de proteínas, faz com que a passagem da fase anágena para a telógena, seja mais rápida.
Por essa razão, antes de iniciar uma dieta, principalmente aquelas que têm como característica a restrição alimentar, é importante buscar informações qualificadas e ajuda profissional para que os objetivos sejam alcançados sem efeitos colaterais para o corpo.

2.5. Estresse psicológico
Quando uma pessoa está sobre pressão e enfrentando diversos tipos de estresse no seu dia a dia, o seu córtex cerebral começa a fazer diversas sinalizações que alteram o eixo neuroendócrino do corpo.
Dentre os hormônios que são alterados, podemos citar o cortisol (o qual já é reconhecido por ter sua produção aumentada em situações estressantes).
Sendo assim, um aumento muito acentuado desse hormônio pode levar ao eflúvio telógeno, principalmente se o fator estressante não for retirado a tempo.
Por essa razão, é bastante comum que pessoas que apresentam alguns distúrbios psicológicos (como a ansiedade) percebam uma queda importante do cabelo.
2.6 Doenças crônicas
As doenças crônicas como:
- Diabetes mal controlado;
- Câncer;
- Lúpus eritematoso;
- Hepatites;
- E anemias.
Fazem com que o funcionamento correto do corpo seja alterado e, por conta de várias alterações de fatores neuroendócrinos e nutricionais que ocorrem nessas situações, levam ao aparecimento do eflúvio telógeno.
2.7 Doenças da tireóide
Tanto os casos onde existe um aumento (hipertireoidismo) quanto uma diminuição (hipotireoidismo) de hormônios tireoidianos, é possível se observar um aumento da queda dos cabelos.
Desse modo, é comum que a queda de cabelo seja um dos sintomas iniciais dessas doenças, por isso, é recomendado que pessoas que apresentam eflúvio telógeno façam uma investigação a respeito da alteração desses hormônios.
2.8 Uso de algumas medicações
Existe uma lista enorme de remédios que podem desencadear o aparecimento do eflúvio telógeno, eles vão desde antidepressivos até medicamentos utilizados para o tratamento da acne. Por essa razão, antes de iniciar o uso de qualquer medicamento é muito importante buscar aconselhamento médico e estar ciente dos seus possíveis efeitos colateral
3. Quais são as manifestações clínicas do eflúvio telógeno?
Normalmente, nós perdemos em torno de 100 fios de cabelo por dia.
Entretanto, quando estamos com eflúvio telógeno, essa perda de cabelo aumenta consideravelmente, sendo possível observar uma perda de até 300 fios diários!
Assim, é comum que a pessoa comece a perceber a presença de muitos fios, tanto na hora de tomar banho quanto no momento que escova os cabelos.
De modo geral, se nota uma perda maior de cabelos na parte superior da cabeça, portanto, pode ser que o individuo com a patologia apresente uma rarefação dos fios principalmente nessa área.
Ademais, também é possível que algumas pessoas apresentem coceira no couro cabeludo, principalmente na parte de trás da cabeça.

4. Quais são os tipos de eflúvio telógeno existentes?
Como você deve imaginar, não existe apenas um tipo de eflúvio telógeno, logo podemos dividí-los em dois: agudo e crônico.
4.1 Eflúvio telógeno agudo
O eflúvio telógeno agudo, como o próprio nome sugere, se refere quando a perda de cabelo se dá por uma condição que ocorreu em torno de dois a três meses antes do início da queda, sendo o período máximo de início dos sintomas até seis meses.
Isso porque, leva mais ou menos esse tempo para que a condição que levou a parada e, consequentemente, a queda do cabelo, finalizar o ciclo dos fios.
Desse modo, as causas podem ser qualquer uma das citadas anteriormente.
Outro ponto importante é que esse tipo de eflúvio telógeno tende a regredir espontaneamente depois de alguns meses.
4.2 Eflúvio telógeno crônico
Ainda que ocorra perda semelhante ao eflúvio telógeno agudo, no eflúvio telógeno crônico o paciente costuma ter uma perda de cabelo superior a seis meses, podendo ocorrer de forma ciclíca.
Assim, a doença pode apresentar momentos de atividade e de regressão. Logo a pessoa pode apresentar quedas de cabelos em torno de duas vezes no ano ou em períodos mais espaçados.
E, como se pode imaginar, por ocorrer uma perda significativa de cabelos mais longos, mas ainda se ter o crescimento de fios novos, a pessoa costuma ter um maior volume na base do cabelo o qual vai afinando com o comprimento.
Já sobre a causa base desse problema, ainda não se sabe ao certo o que causa, entretanto, existem algumas teorias que supõe que o motivo seja autoimune, desse modo, doenças como a tireoidite de Hashimoto ganham destaque.
5. Como ocorre o tratamento do eflúvio telógeno?
Por se tratar de um evento autolimitado, na maioria das vezes não é necessária à realização de nenhum tratamento específico.
Todavia, existem situações especiais onde pode ser indicado o uso de medicamentos que estimulam o crescimento do cabelo.
Dentre esses casos especiais, podemos citar aqueles que possuem alopecia andrógena (a famosa calvície) e aqueles que têm uma queda acentuada do cabelo após os sessenta anos.
Pois, nesses grupos específicos pode haver dificuldade em recuperar o comprimento adequado dos fios.
Ademais, é preciso se investigar a causa base da existência do eflúvio telógeno, pois se foi possível encontrá-la o mais indicado é que exista uma correção dela para que se institua o tratamento adequado.
No mais, podemos dizer que pessoas saudáveis conseguem reverter essa situação de maneira natural e eficaz.
Porém, caso notem que os fios continuam caindo por meses é indicado procurar ajuda profissional.
6. É possível prevenir o aparecimento do eflúvio telógeno?
Não existe uma prevenção específica para esse tipo de problema, entretanto o que pode ser indicado é que, em situações específicas onde já se espera o aparecimento da patologia, seja orientada a procura de um médico precocemente.
Sendo assim, as pessoas que possuem critérios para essa orientação, são as grávidas, aqueles que fizeram cirurgias recentes ou quem apresenta alguma patologia que se encaixa dentro das principais causas, como o hipotireoidismo.
Nesses casos, as pessoas precisam ser orientadas a respeito da possível instalação do problema e como deveriam proceder no caso do seu aparecimento.
7. Conclusão
Ao chegarmos ao fim desse artigo, conseguimos compreender bem mais a respeito do eflúvio telógeno e como funciona a sua instalação no corpo.
Sendo assim, os principais tópicos tratados nesse post, foram:
- Como é o ciclo natural dos fios de cabelo e como se instala o eflúvio telógeno;
- Quais são as principais causas que levam ao aparecimento dessa patologia;
- Quais são as manifestações clínicas desse problema;
- Quais são os tipos de eflúvio telógeno existentes (agudo e crônico);
- Como ocorre o tratamento para essa queda exagerada dos fios (a qual normalmente é autolimitada)
- E que, por mais que não exista uma forma de se prevenir totalmente o seu aparecimento, em algumas situações é possível orientar precocemente as pessoas quanto a isso.
No mais, apenas recomendamos que, caso você perceba que a sua queda dos fios não está se resolvendo no período adequado, busque uma orientação médica para que seja investigada a possível causa de base relacionada a isso.
