Acupuntura e dor
Segundo o Migraine Trust, a enxaqueca está em terceiro lugar entre as doenças mais comuns em todo o mundo, afetando 1 em cada 7 pessoas (Steiner et al., 2013). A enxaqueca crônica afeta cerca de 2% da população mundial, numa proporção mulheres:homens de 3:1. Pesquisas sugerem que ocorram mais de 190 mil crises de enxaqueca por dia no Reino Unido (Steiner et al., 2003).
A acupuntura é uma terapia em que agulhas finas são inseridas na pele em pontos particulares. É originária da China e atualmente é usada em muitos países para tratar pessoas que sofrem de enxaqueca. Há um amplo conjunto de evidências sugerindo que a acupuntura é efetiva no tratamento da enxaqueca.
Uma revisão Cochrane sistemática sustenta o uso da acupuntura no tratamento da enxaqueca
Uma revisão sistemática sobre o uso da acupuntura na profilaxia da enxaqueca, conduzido por Cochrane em 2016, incluiu 4.985 participantes em 25 estudos randomizados controlados, posicionando a técnica firmemente entre os tratamentos mais bem estudados. A revisão constatou que a adição da acupuntura ao tratamento sintomático das crises diminui a frequência das cefaleias. Contrariando os achados prévios, as evidências atualizadas sugeriram também a ocorrência de um efeito, ainda que pequeno, no grupo de simulação. A simulação consistia apenas em uma forma “diluída” de acupuntura e não em placebo, por isso não seria possível esperar uma grande diferença. Além disso, o estudo demonstrou que os estudos disponíveis sugeriam que a acupuntura pode ter uma efetividade ao menos semelhante a do tratamento com fármacos profiláticos. A conclusão da revisão foi a de que a acupuntura pode ser considerada uma opção para pacientes dispostos a se submeter a esse tratamento.
A NICE recomenda a acupuntura para a enxaqueca
O National Institute for Health and Care Excellence recomenda que seja oferecido aos pacientes um curso de até 10 sessões de acupuntura como tratamento para prevenção de enxaqueca, caso o tratamento com topiramato ou com propranolol seja pouco eficiente.
A Acupuntura é Considerada um Tratamento muito Seguro

Dois levantamentos conduzidos de maneira independente e publicados no British Medical Journal, em 2001, concluíram que o risco de reação adversa grave à acupuntura é inferior a 1 em 10.000. Esse risco é significativamente menor que o de muitos tratamentos ortodoxos. Um levantamento envolveu acupunturistas tradicionais, enquanto o outro envolveu médicos e fisioterapeutas que praticavam acupuntura. Um total de 66 mil tratamentos foram revisados em conjunto, e apenas alguns efeitos adversos menores e transientes foram relatados.
Um levantamento realizado em 2003, envolvendo 6 mil pacientes tratados com acupuntura, produziu resultados quase idênticos. A acupuntura produziu pouquíssimos efeitos colaterais quando realizada por um profissional de acupuntura tradicional totalmente qualificado. Quaisquer efeitos colaterais menores que ocorram, como tontura ou contusão ao redor dos pontos de inserção das agulhas, são leves e autocorrigidos.
Os 7 motivos que fazem da acupuntura um tratamento eficiente para enxaquecas:
- Proporciona alívio da dor: ao estimular nervos localizados em músculos e outros tecidos, a acupuntura leva à liberação de endorfinas e outros fatores neuro-humorais, e altera o processamento da dor no encéfalo e na medula espinal (Zhao, 2008; Pomeranz, 2001).
- Diminui a inflamação: evidências crescentes mostram que a inflamação está associada à enxaqueca e a acupuntura promove liberação de fatores vasculares e imunomoduladores que podem contrapor essa condição (Kim, 2008; Kavoussi, 2007; Zijlstra, 2003).
- Diminui o grau de depressão do espalhamento cortical: este é uma onda elétrica ocorrendo no encéfalo associada à enxaqueca (Shi, 2010).
- Reduz os níveis plasmáticos de substancia e peptídeo relacionado ao gene da calcitonina: estes são neuropeptídeos sinalizadores da dor que podem estar implicados na fisiopatologia da enxaqueca (Shi, 2010).
- Modula o fluxo sanguíneo extra- e intracraniano: alterações no fluxo sanguíneo craniano não necessariamente iniciam a enxaqueca, mas podem contribuir para a condição (Park, 2009).
- Afeta os níveis de serotonina no encéfalo: a serotonina pode estar ligada tanto à iniciação das enxaquecas como ao alívio das crises agudas (por meio dos triptanos, fármacos que promovem os níveis de serotonina) (Zhong, 2007).
- Aumenta a microcirculação local: isso ajuda a dispersar o inchaço (Komori, 2009).
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